domingo, 31 de julho de 2016

Agora sou do mundo!


    A jornalista Camila Souza Rodrigues dá um depoimento emocionado sobre sua experiência de viver em uma terra estrangeira - no caso a Irlanda, na Europa. 

Sobre viver fora do meu país...
   Foi por um acaso que vim parar em Dublin (capital da Irlanda), e cá estou. Passaram 5 meses de muitos momentos de alegrias e tristezas, de altos e baixos, de saudades sem fim, mas principalmente de crescimento e amadurecimento.


   Aqui eu aprendi a viver com pouco, a ir a diversas baladas sem gastar nada; que qualquer droga chega na sua casa a hora e o dia que for, e que é bem barato (exceto maconha), bebida também é muito barato, e por isso o consumo de drogas e bebidas é grande, infelizmente há um alto índice de pessoas alcoólatras e drogadas, vejo isso diariamente nas ruas.


   Aqui o exercício diário, dos estudantes brasileiros, são as longas caminhadas, por exemplo, num dia normal, meu, de escola e supermercado, caminho aproximadamente 1h30, coisa da qual no Brasil NUNCA fazia, afinal aqui os meios de transporte não são nada baratos, pois são muito organizados e bem arquitetados, para que nós possamos organizar melhor o dia a dia; aqui ninguém para o ônibus no meio da rua, aqui se tem os horários e pontos certos para cada destino, o Luas (semelhante ao VLT no Rio de janeiro) dividem espaço com ônibus (e tudo flui perfeitamente), carros e os Rickshaws (pessoas  - na maioria brasileiros - que levam turistas numa bicicleta) e o Dart (trem), ah e nos ônibus tem nosso querido wi-fi.

    Trabalhar na Irlanda (‘work hard’). Os empregos mais comuns cleaner (faixineira), já fui uma, au pair (baba), Kitchen Poter (quem lava a louça, recolhi lixo e faz limpeza nos restaurantes), e na hora do aperto a turma brasileira põe a mão na massa (literalmente), e faz comidas tipicamente brasileiras para vender aos nossos conterrâneos (nossa como fiz e faço empadão, não sei se aguento mais comer ). Enfim aqui a gente se vira do jeito que dá, e que pode, a luta é muito grande, a procura de trabalho é grande e a oferta mínima, até agora não consegui trabalho e o dinheiro vai embora num piscar de olhos, por isso muitas meninas viram dançarinas de night clubs ou prostitutas, já os meninos vendem drogas, afinal quem quer voltar para o Brasil?!, muitos preferem se arriscar.



 Sistema de saúde, xiiii, nossa eu reclamava do Brasil, mas aqui é tenso, mesmo pagando assistência medica particular o atendimento demora,de 6 a 10 horas, os hospitais públicos o atendimento demora muito mais, medicação sempre com receita medica, e não são nada baratos. Enfim tenho até saudades da minha Unimed, rs
Como ser imigrante... É complicado demaisss,  minha ‘sorte’ que estou conseguindo me passar como uma Irish (irlandesa rs). Aqui tem os mais conhecidos e temidos Knackers, na maioria jovens, de classe baixa que recebem do governo 1000 euros por mês para gastar com drogas, bebidas e... ovos, sim ovos, o ‘esporte’ predileto deles é jogar ovos nos brasileiros, indianos, africanos, alguns são mais violentos ,batem, um dia desses fiquei perplexa, pois vários ‘Nackers’ se juntaram e bateram numa mexicana, a troco de nada, a Garda (policia daqui) nada faz, pouco se importam com os imigrantes.

Enfim viver na Irlanda está sendo uma aventura e um grande aprendizado, hoje sei como me virar nos 30 rs; e que minha família é tudo que tenho na minha vida, aprendi que amigos são joias preciosas; que sempre iremos nos decepcionar com algo ou alguém, mas que não será o fim da vida; que podemos amar alguém por uma fração de segundos, e principalmente que nada é eterno; E que a partir de agora eu sou do mundo.



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